text written and published for
Anteciparte New Artists Prize, Orient Museum,
Lisbon, 2011

A FICÇÃO NO QUOTIDIANO

Os títulos das imagens reunidas por João Grama na série “To be (still)” não anunciam qualquer pista sobre a localização onde as mesmas são capturadas. Também não são indicadas datas. Nem tampouco nomeiam situações. As suas imagens levam-nos a esquecer os factos para que sejamos direccionados a compreender a realidade tal como ela é: um campo inundado de momentos que nos parecem irreais, que nos sugerem estranheza, que nos fazem deslocar do lugar onde nos encontramos para o espaço da ficção. Por via da suspeita que cada imagem nos confere, somos levados a pensar que se tratam de simulacros, de representações ou construções de situações que copiam a vida. Lembram-nos o Cinema: o ininterrupto decalque da vida. Mas na realidade são imagens encontradas no dia-a-dia. A única via para o simulacro cruza-se com a da experiência do autor: o que o levou a percorrer aquela rua, a sentar naquele lugar, a observar uma mesa preparada. É o presenciar dos momentos que introduz estranheza à vida ou é a sua fixação que convoca um apartamento da realidade?

(Maria do Mar Fazenda, Setembro 2009)

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DAILY LIFE FICTION

The titles of the photographs assembled by João Grama in his series ‘To be (still)’ doesn’t give away any clues as to where they were actually taken; neither do they reveal dates or even really the situations. His pictures encourage us to forget the facts so that we are directed to understand reality as it is: a field inundated by moments that seem unreal to us, strange, that takes us from the place where we are to a fictitious location. From the suspicion that each photograph may arouse, we can imagine that they are simulacra, conjured representations or contrivances of situations that mirror life. They remind us of Cinema: the uninterrupted copying of life. But in reality they are images found on a day-to-day basis. The only way to the simulacrum is crossed with the author’s experience: that which led him to take that road, to sit in that place, to observe a laid table. Is it being a bystander and witnessing moments that lends strangeness to life or is it the freeze-framing of such moments which summons a compartimentalization of reality?

(Maria do Mar Fazenda, September 2009)